2 de set de 2015

Medianeras - Buenos Aires na Era do amor virtual, 2011

Olá! 

Quem me acompanha aqui no blog sabe que me formei recentemente em Letras/Espanhol. Certa vez, em uma aula de Cultura Hispânica, assistimos ao filme argentino "Medianeras" e apesar de ter saído mais cedo da aula, consegui revê-lo com calma em casa, e gostei tanto! O filme trata de solidão, era virtual e claro, amor.

 Martin (Javier Drolas) é um fóbico em processo de recuperação. Pouco a pouco, ele consegue sair do isolamento de seu apartamento e de sua realidade virtual. Ele é um web designer. Mariana (Pilar López de Ayala) acabou de terminar depois de um longo relacionamento. Sua cabeça é uma bagunça, assim como o apartamento onde ela se refugia. Martin e Mariana vivem no mesmo quarteirão, mas ainda que seus caminhos se cruzam eles não chegam a se encontrar. Eles caminham através dos mesmos lugares, mas eles não percebem uns aos outros. Como eles podem se reunir em uma cidade de três milhões de pessoas? Eles vivem no centro de Buenos Aires, a cidade que os une e também os separa.

Já começamos sendo apresentados aos dois protagonistas e suas vidas solitárias. Ora Martin narra como passa seus dias, ora Mariana. Os dois têm lá seus problemas, suas neuroses e conforme vamos os conhecendo percebemos que eles se complementam. Após, nos é apresentado a forma como eles tentam lidar com a solidão: Martin saindo com Ana, passeadora de cachorros, ou com Marcela, que conhece pela internet, e Mariana com um amigo do trabalho e um homem que conhece na natação. Apesar de serem vizinhos e de quase sempre passarem pelas mesmas ruas, ou a aula de natação, por exemplo, Martin e Mariana não se conhecem. Dá uma certa agonia, e quando percebi que já tinha mais de 1h e 10 min de filme e eles não se esbarraram, fiquei com medo de não gostar do final.  
Mas, me surpreendi porque em poucos minutos, a forma como se conhecem pela internet (afinal, um dos temas do filme é a era digital) e a luz que acaba e faz com que se encontrem em uma loja a procura de velas, não me decepcionou, ao contrário, eu gostei de verdade do final. Muito fofo. "Medianeras" fala sobre a cidade urbana, que está em constante e desordenado crescimento, principalmente Buenos Aires, fala da arquitetura e principalmente de temas que envolvem nosso cotidiano, além de ser evidente que toda essa cultura virtual e  arquitetura acarretam em solidão para quem vive sozinho. Li em algum lugar que o diretor e roteirista não queria passar uma solidão dramática, e sim a solidão que já estamos acostumados, a solidão do dia a dia. Os quotes são maravilhosos, e fiquei com vontade de ir parando o filme para anotar tudo. A parte em que nos é descrita o que é uma medianera é de um ótimo senso de humor. E para quem é observadora como eu, percebe que a roupa que Martín usa na cena final, é a roupa de Wally, personagem do livro de Mariana cujo objetivo é encontrar o personagem no meio da multidão urbana. É como se finalmente ela tivesse encontrado seu personagem.





Enfim, é um bom filme para se pensar na cidade em que vivemos hoje, com muita rede virtual e pouco calor humano. Para assistir naquelas tardes chuvosas que aparecem de vez em quando. Deixo alguns quotes (em Espanhol, lógico! meus leitores terão que aprender rs) e o vídeo do final do filme, quando conhecemos outro Martin e outra Mariana, divertidos e soltos, foi a cena que fez valer o vídeo inteiro.

"¿Qué se puede esperar de una ciudad que le da la espalda a su río?"(Martin)
"Estoy convencido de que las separaciones y los divorcios, la violencia familiar, el exceso de canales de cable, la incomunicación, la falta de deseo, la abulia, la depresión, los suicidios, la neurosis, los ataques de pánico, la obesidad, las contracturas, la inseguridad, la hipocondría, el estrés y el sedentarismo son responsabilidad de los arquitectos y empresarios de la construcción. De estos males, salvo el suicidio, los padezco todos" (Martin na introdução do filme)
"Si mi vida fuera un juego, como el Juego de la Vida, me tocó el frustrante castigo de retroceder 5 casilleros." (Mariana na introdução de sua personagem)
"¿Hay algo más descorazonador que no tener emails en la bandeja de entrada?" (Martin)
"No puedo dormirporque no encuentro el interruptor para apagar la cabeza". (Rafa - que Mariana conhece na natação)
"No puedo dormir, porque no encuentro el interruptor para apagar la cabeza."
"Si aún cuando se a quien estoy buscando (Wally) no lo puedo encontrar, como voy a encontrar al que estoy buscando si ni siquiera sé cómo es." (Mariana)

O vídeo do final, que revi por um bom tempo. A música se chama "Ain't no mountain high enough"- Marvin Gaye (fácil lembrar porque foi trilha do clássico "Mudança de Hábito" e do recente "Guardiões da Galáxia). É isso, alguma dúvida no idioma podem perguntar, rs. Besos!

PS: Para quem não sabe, medianera, em Espanhol, é aquela parte do edifício que não tem janela. É a lateral de concreto sem serventia pro morador, que o deixa sem comunicação com a cidade e que só é utilizada para a colocação de anúncios publicitários.


Gênero: Romance, Comédia, Drama.

Direção: Gustavo Taretto
Roteiro: Gustavo Taretto
Elenco: Adrián Navarro, Carla Peterson, Inés Efron, Javier Drolas, Pilar López de Ayala, Rafael Ferro, Romina Paula
Fotografia: Leandro Martínez
Trilha Sonora: Gabriel Chwojnik
Duração: 95 min.




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2 comentários:

  1. Oi, Juliana!
    Também assisti esse filme e gostei muito! Do tipo que todo mundo deveria assistir e repensar sobre o mundo atual e suas consequências. Adorei o post! <3

    Beijo.
    livrosdawis.blogspot.com.br

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  2. Oi Ju, gostei da recomendação de filme, ainda mais por ser em espanhol. Amooo essa lingua, tao linda ne?!
    A sinopse do filme me interessou e lendo a resenha acho q vou gostar. Como vc disse vai ser bom pra nos fazer pensar e tal.
    Não conhecia a palavra medianera, interessante o significado, acho que em portugues nao tem ne?
    Bjus

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