28 de set de 2015

O Doador de Memórias - Lois Lowry

Olá pessoal, tudo bem?

Imagine-se vivendo em um mundo onde não existe guerra, fome, dor e medo, mas também não há amor, esperança e livre arbítrio. Este é o enredo do livro de hoje, que se tornou um pouco mais conhecido por aqui devido a sua adaptação cinematográfica. Confiram!

Título Original: The Giver
Título: O Doador de Memórias
Autor(a): Lois Lowry
ISNB: 9788580412994
Ano: 2014
Páginas: 192
Editora: Arqueiro
Nota: 5/5
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Em O doador de memórias, a premiada autora Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não há amor, desejo ou alegria genuína. Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeito com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente - o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo. Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.

Jonas é um garoto de 12 anos que vive em uma sociedade onde não há dor, medo, guerra, doença, fome, crime, não há nada de ruim, mas também não há sentimentos como compaixão, esperança, amor, o mundo deles é sem cor, sem vida. Todos vivem em perfeita harmonia, cada um sabe seu lugar.


Nesta sociedade a cada ano acontece uma cerimônia, onde as crianças recebem algum objeto, ou roupa que mostre a idade, as habilidades e as responsabilidades que elas possuem. Por exemplo, quanto elas se tornam um sete ao completar sete anos eles recebem um casaco com botões na frente, antes eles usam os botões atrás, para aprenderem a interdependência, ajudando-se uns aos outros a se vestir. Ao se tornar um 12 eles não recebem nenhum objeto, ao chegar nesta idade eles são designados para as funções que irão exercer até que tenham condições físicas e mentais. 

As funções presentes nesta sociedade são muitas, há as mães biológicas que têm a função de ter bebês, estes bebês são então designados aos cuidadores. Os cuidadores são responsáveis por manter os bebês mais aptos saudáveis e os não-aptos são "dispensados". Assim que os bebês atingem o tamanho ideal, os cuidadores distribuem as crianças para os casais que as solicitam. Nesta sociedade os casais não tem filhos biológicos, eles solicitam filhos. Cada casal pode solicitar até dois filhos. O casamento ocorre da mesma forma, as pessoas solicitam um parceiro, e os que governam unem os casais por afinidades. Quando os filhos crescem e se casam os pais vão morar no setor dos "adultos sem filhos", e quando chegam a senilidade são levados para o setor dos idosos, onde são cuidados, pelos cuidadores de idosos, até que sejam "dispensados". Existem todos os tipos de trabalho, os que plantam e colhem, os que limpam, os que são responsáveis por distribuir a comida, enfim todas as profissões necessárias dentro de uma sociedade. E há também os anciãos que são os responsáveis por manter a ordem.

A unidade familiar de Jonas é constituída pela sua mãe que trabalha no setor da justiça, seu pai que trabalha na maternidade e sua irmã mais nova, Lily.

Jonas fica muito apreensivo, pois na cerimônia deste ano ele receberá a função que exercerá na sociedade. Ele não sabe definir bem o que sente, afinal, eles não falam muito de sentimentos, ou mesmo não os tem. Já Lily está "muito feliz", ela se tornará uma nove e receberá um bicicleta, que é o meio de transporte utilizado por todos. Antes dos nove as crianças andam na garupa da bicicleta dos pais. Jonas têm dois amigos próximos, Fiona e Asher, os dois também receberão suas funções.
"Era quase dezembro e Jonas estava começando a ficar assustado. Não. Usara a palavra errada, pensou ele."
Depois de um momento de muita apreensão, Jonas finalmente recebe sua designação, ele será um recebedor de memórias. De início ele não entende muito bem o que esta função significa, não vê importância nenhuma nela.
"– Jonas foi escolhido para ser o nosso próximo Recebedor de Memória. Nós lhe agradecemos por sua infância."
Como todos os "iniciados" nas funções, Jonas vai ao encontro do Doador, o ancião responsável pela função de realizar o treinamento de Jonas. Ao chegar na casa do Doador, Jonas já sente algo diferente, ele se depara com objetos diferentes, objetos de decoração. Com o passar do treinamento Jonas vai percebendo a importância da sua função, um dia ele se tornará um Doador.

O Doador é o responsável por guardar todas as memórias, todas as histórias da humanidade, sejam memórias felizes ou tristes. 

No início do treinamento o Doador só passava as memórias boas a Jonas, mas com o passar do tempo, Jonas foi recebendo as memórias ruins, como a guerra, a fome e a morte. 

Ao receber as memórias Jonas começa a enxergar o mundo a sua volta de uma forma diferente, ele começa a enxergar as cores, ele começa a sentir emoções. 

"- Bom... - Jonas parou para refletir. - Se tudo é sempre o mesmo, então não há escolhas! Quero acordar de manhã e decidir coisas! Hoje vou vestir uma túnica azul ou uma vermelha. - Baixou os olhos para si, para o tecido sem cor de sua roupa. - Mas é tudo igual, sempre.
Então riu um pouco.
- Sei que não importa o que a gente veste. Não faz diferença. Mas...
- Poder escolher é que é importante, não é? - perguntou o Doador."

Com esta nova percepção de mundo, Jonas descobre que a sociedade em que vive não é tão perfeita como parece, e assim ele decide que deve fazer algo para mudar a situação em que vivem.
"Como seria possível alguém não se adaptar? A comunidade era tão meticulosamente organizada, as escolhas eram feitas com tanto cuidado!"
O doador de memórias é um livro escrito em terceira pessoa, uma leitura rápida e envolvente, uma ótima distopia. Lois Lowry nos apresenta um mundo onde apenas alguns tem voz e resta aos outros apenas obedecer, e os que obedecem não pensam nem refletem as ordens a que são submetidos, são como robôs obedecendo a um comando. A escrita da autora é impecável, as descrições dos cenários e as rotinas da sociedade são muito bem expostos. Como toda a distopia é uma crítica a sociedade que vivemos.

Duas narrativas que mais me impactaram, foram as memórias da guerra e as memórias do caçadores de marfim, que matavam os elefantes para obterem suas presas.

Este é o primeiro livro de um tetralogia, o segundo é a Escolhida, já lançado no Brasil, o terceiro é Messenger e o quarto Son, ambos ainda não lançados no Brasil. O interessante é que os três primeiros volumes não são sequências, cada um apresenta cenários e personagens diferentes, apenas no último livro há uma união destas três história. Só resta esperar quando a Editora Arqueiro irá lançar os dois últimos volumes, espero que seja em breve.

Enfim esta é uma leitura mais do que remendada, uma ótima pedida para quem gosta de distopias. Para quem já assistiu o filme não deixe ler o livro, ele irá complementar a história do filme. Recomendo os dois, principalmente o livro, tenho certeza de que vão gostar.


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2 comentários:

  1. Olá, Mayla.
    Como fã de distopia, esse livro me chama muito a atenção. Principalmente por demonstrar um mundo sem emoções, uma sociedade quase mecânica.
    Preciso ler essa obra logo.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de outubro. Serão seis livros para três vencedores.

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    Respostas
    1. Leia você vai gostar! É um ótimo livro, uma ótima distopia!!!

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