23 de nov de 2015

A Cidade do Sol - Khaled Hosseini

Olá pessoal, tudo bem?

Hoje trago a vocês um livro bem conhecido, acredito que a maioria das pessoas já leram ou já ouviram falar. Do mesmo escritor de O Caçador de Pipas, o livro traz uma emocionante história, com momentos tristes e felizes, traz a história de duas mulheres que mesmo em meio a muito sofrimento não perdem a esperança. Confiram!

Título Original: A Thousand Splendid Suns
Título: A Cidade do Sol
Autor(a): Khaled Hosseini
ISBN: 9788520920107
Ano: 2007
Páginas: 368
Editora: Nova Fronteira
Nota: 5/5
Adicione: Skoob
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Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rashid, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Confrontadas pela história, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a história continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do "todo humano", somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.
O livro conta a história de duas mulheres fortes, guerreiras, que mesmo passando por enormes dificuldades ainda conseguem manter a chama da esperança acesa.


O livro é divido em quatro partes. Na primeira parte conhecemos Mariam. Mariam vive com sua mãe Nana em uma kolba. Elas foram morar afastada de Herat, cidade onde Nana vivia, quando Nana engravidou de Mariam. Mariam era uma harami (filha bastarda), filha do patrão de Nana, Jalil Khan, que já morava com suas três esposas quando Nana ficou grávida de Mariam. Então para se livrar da vergonha, colocou as duas para morar num bairro distante de Herat. Todas semana Jalil ia visitar Mariam, e Nana ficava resmungando baixinho, e quando Jalil ia embora ela amaldiçoava Jalil, dizia a Mariam que ele não era tudo aquilo que a filha imaginava. Nana vivia falando a Mariam que ninguém no mundo iria amá-la, que ela era uma harami ingrata e que ela não deveria acreditar em ninguém, principalmente nos homens, principalmente em seu pai.
"Na verdade, perto dele, não se sentia uma harami. Toda quinta-feira, por uma ou duas horas, quando Jalil vinha vê-la, todo sorrisos e cheio de presentes e carinhos, Mariam se sentia digna das belezas e das coisas boas que a vida tinha para oferecer. E, por isso, amava Jalil."
No décimo quinto aniversário de Mariam, ela pede ao pai que a leve ao cinema, do qual ele era dono, para verem um filme, junto com seus irmão e ele promete que realizará o pedido da filha. Porém no dia ele não aparece e Mariam decide ir atrás do pai.

O ato de Mariam muda para sempre a vida da garota, ela descobre que seu pai era mesmo tudo aquilo que sua mãe lhe dizia, arrependida ela volta para a kolba, mas já é tarde demais. E assim Mariam tem um triste destino, aos quinze anos ela se vê obrigada a se casar com o sapateiro Rashid, e vai morar em Cabul.

No começo do casamento tudo é normal, mesmo ela tendo de satisfazer a necessidades de seu marido, ela vive uma vida tranquila, mesmo sendo infeliz. Tudo muda quando Mariam descobre que não pode ter filhos, deste momento em diante Mariam começa a conhecer o lado cruel e sádico de Rashid, tudo é motivo para espancá-la.
"Para lembrar como sofrem as mulheres como nós", disse ela. "Como aguentamos caladas tudo o que nos acontece."
Na segunda parte nos é apresentada Laila. Laila nasceu dezenove anos depois de Mariam, justamente no dia em que a extinta União Soviética invadiu o Afeganistão. Diferente de Mariam, Laila vai a escola, seu pai, um professor universitário, diz a ela que ela pode ser tudo o que quiser, que pode conquistar o mundo e que só se casará se quiser. Ela tem uma vida feliz, que divide com suas amigas Gina, Hasina e seu melhor amigo Tariq. Laila só não tem a vida perfeita devido ao abandono de sua mãe depressiva, ela ficou assim depois que seus irmãos mais velhos morreram, ela sente falta do afeto de sua mãe.
"Sei que você ainda é pequena, mas quero que ouça bem o que vou lhe dizer e entenda isso desde já", disse ele. "O casamento pode esperar; a educação, não. Você é uma menina inteligentíssima. É mesmo, de verdade. Vai poder ser o que quiser, Laila. Sei disso. E também sei que, quanto esta guerra terminar, o Afeganistão vai precisar de você tanto quanto dos seus homens, talvez até mais. Porque uma sociedade não tem qualquer chance de sucesso se as suas mulheres não forem instruídas, Laila. Nenhuma chance."
Tudo muda quando a guerra chega a casa de Laila. Ela perde sua amiga Gina, tem de dar adeus a Hasina e a despedida que mais causou dor a ela foi a de Tariq, que aquela altura, já estavam apaixonados um pelo outro. No entanto o pior ainda estava por vir, uma bomba cai em cima da sua casa. Laila fica órfã. Quando acorda descobre que está na casa de Mariam, a seus cuidados. E quando dá por si, já está casada com Rashid.
"- Sabe aquela velha história... - disse ele. - Você vai para uma ilha deserta e só pode levar cinco livros. Quais escolheria? Nunca achei que isso fosse acontecer comigo de verdade."
Na terceira parte conhecemos um pouco mais sobre o Talibã, como foi sua instalação e como suas leis são cruéis. Sentimos na pele o sofrimento de Laila e Mariam e como elas tentaram escapar daquela triste vida.

Na quarta parte conhecemos o fim da história de vida destas duas mulheres magnificas que nunca desistiram de lutar e ter esperança.

Realizei esta leitura justamente neste momento em que Paris vive assombrada pelo medo dos atentados realizados pelo Talibã e foi interessante, pois de certa forma, pude refletir sobre os dois lados da moeda. Já tinha lido O Caçador de Pipas, uma obra magnífica, que me deixou muito emocionada, foi por esta leitura que cheguei A Cidade do Sol.

A leitura do livro me fez conhecer um pouco mais da cultura do Afeganistão, conhecer suas leis e o surgimento do Estado Islâmico e como as mulheres são tratadas nesta sociedade. O livro é narrado em terceira pessoa, a partir da terceira parte os capítulos são intercalados entre Mariam e Laila, nos dando uma boa noção sobre a situação.

A leitura é pesada, desesperadora, a vontade é nunca largar, pois não há como não torcer para que elas consigam encontrar a felicidade, encontrar seu final feliz. A escrita de Khaled é maravilhosa, ele nos faz sentir as dores e as angústias dos personagens, nos mostra o lado que a mídia na maioria das vezes não menciona, simplesmente ignora, e que lado triste, que lado desolador.

Confesso que esta foi uma das resenhas mais difíceis que já escrevi, espero ter passado um pouco do sentimento que o livro carrega, que ela tenha sido um pouco digna desta obra. Este livro deve ser lido e relido várias vezes. Ainda não tenho meu exemplar, mas quero adquiri-lo o quanto antes.

Bem a única coisa que me resta é recomendar esta obra, para quem ainda não leu não perca tempo e para quem já leu que tal relê-la?

2 comentários:

  1. Olá, Mayla.
    Já li essa obra do autor e uma obra e tudo que posso dizer é: sou rendido ao talento dele. Escreve bem, possui bons enredos e cria verdades dolorosas.
    Sem dúvidas, excelente dica.
    Adorei a resenha.

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    Respostas
    1. É uma belíssima obra, sou fã do Khaled. Fico muito feliz que tenha gostado! =D
      Abraço!

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